Permanecem em greve os professores da rede pública estadual em Santa Catarina

Na região de São Joaquim, 80% dos professores devem permanecer paralisados. Os dirigentes de educação de Santa Catarina e os grevistas não chegaram a um consenso após reunião ocorrida nesta segunda-feira (23).


A representante do Sinte (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina) Iara Silvia Candido Chiodelli explica que na audiência o governo não apresentou nenhuma proposta, e por isso a greve deve continuar. Segundo ela, o governo se nega a negociar, e quer pagar o piso somente aos professores com formação no magistério, excluindo aqueles com curso superior e especialização.


Ainda, este pagamento seria feito através de Medida Provisória, o que na prática significa a extinção do Plano de Carreira dos professores. De acordo com a proposta, o vencimento de um professor com formação no magistério seria equiparado a de um professor com nível superior, o que segundo ela, seria desestimulante a melhora da educação através da capacitação dos professores. “Então, não precisa mais estudar, acaba o incentivo ao estudo, a fazer uma faculdade, um doutorado, ou um mestrado. É um achatamento da tabela, é a destruição da carreira do magistério”, explica.


O governo também afirma que não vai negociar enquanto os professores estiverem em greve, Iara Silvia conta ainda que o Secretário de Educação Adjunto, Eduardo Deschamps afirmou quando questionado na reunião, que baseado em uma pesquisa, a educação não é prioridade da sociedade catarinense.


Deucélia De Bettio Martins, professora a mais de 30 anos comenta o sentimento de tristeza diante do descaso com a educação no Estado. Ela se diz frustrada e revoltada com a situação. Deucélia conta que quando começou a carreira, o salário do professor permitia que se tivesse uma vida digna e hoje, o que se ganha mal dá para sobreviver. “Todos aqueles discursos que nós fizemos em sala de aula, o que nós incentivamos as pessoas a estudarem, está indo pelo ralo” desabafa, pois segundo ela, o que se investe em estudo, visando uma melhor qualificação, não retornará em forma de remuneração. Para ela, a proposta do Secretário Adjunto faz com que a busca por uma melhor qualificação dos professores se torne obsoleta, tendo em vista que aquele com menos qualificação, ganhará tanto quanto, ou mais que um profissional mais qualificado.


Texto: Joana Costa

1 comentários:

e um problema essa dos professores.. tomara que tudo de certo

Postar um comentário